cipriano    
         
 
 
 

 

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*fotografias de Maria Liljeblad

 
 

Um homem velho, de nome Cipriano, está prestes a morrer. Ele passou a vida inteira atormentado por sonhos e agora vaga solitário em um deles. Seus filhos Bigail e Vicente buscam um cemitério de frente ao mar, onde ele deve ser enterrado. Vida e morte. Contos, sonhos e religiões. Uma viagem no imaginário latino-americano através de uma longa peregrinação pelos sertões piauienses.


texto crítico:

Inútil Paisagem?

David Cury

HISTÓRICO

Em 1995, depois de alguns meses gravando apenas o áudio dos cânticos de incelências e benditos pelo interior do Piauí, demos início ao projeto do filme CIPRIANO. A partir daquele material e das entrevistas colhidas, decidimos trabalhar com dois temas recorrentes da cultura nordestina: morte e sonhos. O ano seguinte foi dedicado, basicamente, à preparação do roteiro e busca de locações.

Em 1997, com os recursos da nossa empresa [trinca/filmes], de empresas e técnicos associados, bem como através da Lei A. Tito Filho de Incentivo à Cultura do município de Teresina [PI], o projeto obteve o financiamento inicial, aglutinando desde então uma série de profissionais das mais diversas especializações: direção de arte, elenco, direção de fotografia, direção de produção, cenografia e produção executiva — dentre outras. Este trabalho desenvolveu-se em duas frentes: a equipe piauiense continuava os trabalhos de produção, os ensaios com o elenco, a criação do figurino e coreografia, além da captação de patrocínio adicional; a equipe sueca, recém-integrada ao empreendimento, trabalhava para obtenção de equipamentos de filmagem e sonorização a custo reduzido. As filmagens foram realizadas no mesmo ano, entre 25 de agosto e 13 de setembro. Dos trabalhos no sertão piauiense, locação do filme, resultaram 42 rolos de filmes rodados.


Devido a uma série de acertos com a equipe sueca, a fase inicial de pós-produção foi realizada entre Inglaterra e Suécia. Os rolos de filme, por esta razão, foram revelados e escaneados para o formato BetaSP pela Technicolor em Londres; em Estocolmo, todo o material foi editado em Avid. A trilha sonora original foi composta no mesmo período em Gotemburgo. Com a montagem em off-line concluída, restava-nos apenas a última fase de pós-produção, ou seja, a finalização para bitola de 35mm. Com duração de 70 minutos, o projeto teve a aprovação do Ministério da Cultura através da Lei do Audiovisual, no entanto, não conseguiu nenhum patrocínio – mesmo após várias reuniões com empresas nacionais e estrangeiras [ex: Petrobrás, Shell, Philips do Brasil, Swedish Match, Volvo etc] – além dos vários encontros com políticos piauienses [ex: então governador Mão Santa, senadores Hugo Napoleão, Freitas Neto; dep. fed. Heráclito Fortes, João Henrique etc]. Os motivos variam entre as dificuldades econômicas vigentes no Brasil e a própria falta de uma representação significativa do nosso Estado junto ao restante do país. Este fato, porém, não limitou nossos ânimos. Com o advento das novas tecnologias em cinema digital, decidimos encarar um novo desafio: levar CIPRIANO às telas em DVD. Fizemos nova finalização digital utilizando uma estação de pós-produção chamada “Jaleo”. Com isso, no dia 31 de março de 2001, lançamos o filme em “avant-première” no Cine Teresina 3 [Teresina Shopping]. Acompanhando a exibição – com a presença de boa parte da equipe técnica e elenco – montamos uma exposição com o figurino e algumas peças de arte do filme, além de um ponto de venda com postais, cartazes, camisas e livros com o roteiro original do CIPRIANO. Seguidamente, nosso longa metragem foi exibido no Cine Riverside 2 e no Rex – sempre com casa lotada! A exposição permaneceu no Teresina Shopping durante todo o período de exibição do filme na capital piauiense. Hoje, nosso filme já foi exibido no interior do Estado, em outros pontos do Sertão nordestino e em algumas capitais brasileiras [Fortaleza, Natal, Recife, São Luís, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, São Paulo, Porto Alegre etc].

Desde novembro de 2003, CIPRIANO faz parte da programação do Canal Brasil, com exibições regulares para todo o país. Atualmente, seguimos em pleno vapor numa constante tour de exibições digitais em escolas, universidades, cinematecas do Brasil e do mundo: CIPRIANO já tem versão legendada em inglês e francês! O mais curioso encontra-se nas exibições pelo sertão nordestino – feitas durante as nossas viagens de trabalho. O que fizemos e continuamos fazendo, trata-se, na verdade, de uma distribuição alternativa face à difícil penetração – no mercado nacional – de obras fora do eixo Rio-São Paulo.

Douglas Machado
(roteirista/diretor e co-produtor)


EQUIPE TÉCNICA

Elenco

CHIQUIM PEREIRA Vicente
VILMA ALCÂNTARA Bigail
TARCISO PRADO Cipriano
FERNANDO FREITAS Morte
DONA ROSA Anjo da Guarda 1
DONA MARIA Anjo da Guarda 2
DONA COTINHA Anjo da Guarda 3
JORGE SANKLER CARVALHO Demônio 1
JORGE LUCIANO CARVALHO Demônio 2
VIRGÍNIA CURY Santa Beata
BÁRBARA DE ARAÚJO MENDES Rezadeira 1
ELINA CARVALHO DOS SANTOS BRITO Rezadeira 2
JOSEFA DE MELO LUSTOSA Rezadeira 3
FRANCISCA MARTINS DE OLIVEIRA Rezadeira 4
FRANCISCA DE MELO MEDEIROS Rezadeira 5
MARIA CARDOSO DE MACEDO Rezadeira 6
MARIA DA CONCEIÇÃO ANDRADE Rezadeira 7
MARIA JOSÉ DE MELO FREITAS Rezadeira 8
MARIA JOSÉ DE FREITAS Rezadeira 9
MARIA PONTES DE BRITO Rezadeira 10
MARIA ZÉLIA DE BRITO Rezadeira 11
RAIMUNDA FRANCISCA MEDEIROS Rezadeira 12
   
Equipe Técnica  
   
Escrito, Dirigido e Produzido por
DOUGLAS MACHADO
 
   
Direção de Produção e Produção
SUZANE JALES
Direção de Fotografia e Produção [Suécia]
MATTIAS HÖGBERG
   
Produção Executiva
GARDÊNIA CURY
CÁSSIA MOURA
Direção de Arte e Figurino
ÁUREO TUPINAMBÁ JR
   
Som Direto
BO JOHANSSON

Assistente de Som
WALTER CRUZ
   
Trilha Sonora
PETER LLOYD
Original Som Pós-Produção
JONAS JERSILD
   
Coreografia da Morte
MARCELO EVELIN
Cenografia
GUALBERTO JR.
   
Maquiador
JOÃO BRITO
Xilografia
GABRIEL ARCHANJO
   
Continuísta
LEONARDO CARRERO
Assistente de Figurino
ASTROLÁBIO FILHO
   
Coordenador de Locação
FRANCISCO OLIVEIRA
Taxidermista
JAQUELINE LUSTOSA
   
Advogado
ABDALA JORGE CURY FILHO
Montagem
MAURO ADAMCZYK
   
Assist. de Produção (Brasil)
SIMONE MÁXIMO
Assist. de Produção (Suécia)
HELENA FREDRIKSON
   
Assistente de Iluminação
PAUL BLOMGREN
Assistente de Câmera
MARTIN NISSER
   
Contra-Regra
JOHAN HÖGBERG
Fotógrafa de Still
MARIA LILJEBLAD
   
Assistente de Locação1
ROGERVALDO CUNHA
Assistente de Locação2
EMERSON MONTANHA
   
Motorista1
FRANCISCO R. DE AMORIM
Motorista2
LUCIANO FEIJÓ JUVÊNCIO
   
Cozinheiras
ZÉLIA DE BRITO [Coordenadora]
MARIA DOS REMÉDIOS SILVA

MARIA CLOTILDES BATISTA
HELENA LIMA SILVA


* Incelências são orações para proteger a alma de um morto na passagem para o outro mundo - normalmente são rezadas por mulheres. Os benditos têm um sentido mais amplo, podem ser rezados também para alcançar uma graça, por exemplo. Ambas vêm de tradição oral do nordeste brasileiro, passada de geração para geração.